MARA GABRILLI
a) Mini Biografia
Mara Gabrilli é publicitária, psicóloga e uma das mais importantes ativistas brasileiras na luta pelos direitos das pessoas com deficiência. Tornou-se tetraplégica após um grave acidente automobilístico ocorrido na Serra de Caraguatatuba na década de 1990. Apesar das limitações físicas impostas pelo acidente, construiu uma trajetória pública marcada pela defesa da cidadania, da inclusão e da acessibilidade. Atuou como colunista da Revista TPM e posteriormente ingressou na vida pública, exercendo cargos de destaque como Secretária Municipal da Pessoa com Deficiência em São Paulo, Vereadora, Deputada Federal e posteriormente Senadora da República. Sua atuação política e social transformou-se em referência nacional na defesa da dignidade humana e dos direitos das pessoas com deficiência. b) Depoimento da Entrevista Tive a honra e a satisfação de entrevistar Mara Gabrilli por ocasião do fechamento da primeira edição do meu livro Humanos Versus Androides, em 2002. Naquele momento ela era colunista da Revista TPM e discorria com muita facilidade e objetividade sobre temas variados, como cidadania, política, sexualidade e sobretudo acessibilidade. Chamou-me a atenção sua condição de tetraplegia após o grave acidente automobilístico na Serra de Caraguatatuba, e principalmente sua impressionante garra em manter uma vida extremamente ativa. Ali estava um ser humano singular, cuja história me permitiria demonstrar uma das teses centrais do Fator Silva: mesmo quando circunstâncias extremas limitam severamente as capacidades físicas de uma pessoa, isso de forma alguma diminui sua grandeza humana — e, muitas vezes, pode até revelar novas dimensões dessa humanidade. Durante um passeio seguido de um almoço muito agradável, Mara permitiu que eu conhecesse e até mesmo pilotasse o equipamento com o qual se locomovia: uma sofisticada cadeira motorizada que lhe permitia inclusive elevar-se à posição vertical, possibilitando conversar de pé com seus interlocutores. Foi uma experiência profundamente marcante. Aprendi com ela a posicionar seus braços da forma mais confortável para nossa conversa e tive a oportunidade de lhe servir o café que desfrutamos naquele encontro. Em poucas horas de convivência, aprende-se muito sobre o valor das coisas mais simples do cotidiano. A emoção daquele encontro atingiu seu ponto mais profundo quando Mara, serenamente, me fez um pedido que jamais esquecerei: “Carlos, já que você é um engenheiro mecatrônico, que tal projetar um exoesqueleto robótico com inteligência artificial para mim, de forma que eu pudesse, por comando de voz, movimentar braços, pernas, mãos e dedos, e assim conquistar um pouco mais de autonomia?” Essas palavras atravessaram meu coração de forma definitiva. Naquele instante, a tarefa simples de ajudá-la a levar a xícara de café até a boca tornou-se uma experiência profundamente humana e inesquecível. É frustrante perceber que, apesar de tantas narrativas entusiasmadas sobre avanços tecnológicos, muitas das soluções capazes de transformar a vida de pessoas como Mara ainda avançam mais lentamente do que gostaríamos. Anos depois, em 2014, durante a abertura da Copa do Mundo realizada no Brasil, o professor Miguel Nicolelis apresentou um exoesqueleto desenvolvido por uma equipe internacional com mais de cem pesquisadores. Foi um avanço extraordinário, ainda que distante de atender plenamente aos desejos de autonomia que ouvi naquele almoço de 2002. Enquanto isso, a humanidade continua investindo recursos gigantescos em armamentos destinados à destruição, quando poderia direcionar muito mais esforço para tecnologias que ampliem a dignidade humana. A lógica humana, às vezes, não é para amadores. Desde aquele encontro, acompanhei com grande emoção a trajetória pública de Mara Gabrilli. Com orgulho, torcida e até votos, vi aquela mulher extraordinária tornar-se Secretária Municipal, Vereadora, Deputada Federal e, finalmente, Senadora da República. Mara tornou-se grande cidadã do Brasil e inspira inúmeros seres humanos a enfrentar suas adversidades com elegância, força e propósito. Ela tornou-se uma cidadã exemplar e uma inspiração para todos que enfrentam adversidades. Minha conclusão pessoal: o que o destino retirou do Coeficiente Físico (CF) da Mara Gabrilli, devolveu em dobro nos Coeficientes Sentimental (CS), Intelectual (CI) e Espiritual (CE). Eis o equilíbrio que, muitas vezes, os desígnios do além nos oferecem. Avante, Mara Gabrilli! c) Tabela Oficial do Fator Silva (FS) (Baseada nos dados registrados por você em 2002 — planilha Humans & FSs.xlsx) [Humans and FSs | Excel] Coeficiente Valor CF – Coeficiente Físico 0,1529 CI – Coeficiente Intelectual 0,2313 CS – Coeficiente Sentimental 0,2271 CE – Coeficiente Espiritual 0,2199 FS – Fator Silva (Global) 0,8312
d) Interpretação no âmbito do Fator Silva O resultado obtido na avaliação de Mara Gabrilli ilustra de forma clara uma das hipóteses fundamentais do Fator Silva: a humanidade não pode ser compreendida apenas por suas capacidades físicas. Embora o Coeficiente Físico tenha sido drasticamente afetado pelas consequências do acidente que resultou em sua tetraplegia, os demais coeficientes revelam um conjunto extremamente elevado de qualidades humanas. Destacam-se particularmente: • forte capacidade intelectual • grande sensibilidade humana • elevado senso de propósito e espiritualidade O resultado final demonstra que a limitação física não impede a manifestação de uma humanidade rica e influente. Pelo contrário, muitas vezes as adversidades revelam dimensões profundas da força interior de um indivíduo.
e) Destaques Humanos A trajetória de Mara Gabrilli oferece importantes reflexões no contexto do projeto Humanos versus Androides: • Limitações físicas não definem a totalidade da experiência humana. • O equilíbrio entre dimensões intelectual, sentimental e espiritual pode revelar extraordinária capacidade de superação. • A tecnologia possui enorme potencial para ampliar a autonomia de pessoas com deficiência, reforçando a importância da engenharia a serviço da dignidade humana. • A verdadeira grandeza humana frequentemente se manifesta justamente diante das maiores adversidades.